Perícia constatou que menina, que nasceu com cerca de 26 semanas de gestação, respirou após o parto; mãe afirmou à polícia que acreditava que a filha estivesse morta
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que uma mulher de 25 anos descartou em uma lixeira de condomínio o corpo da própria filha recém-nascida, em Várzea Grande, Mato Grosso. Segundo a perícia, a bebê nasceu com vida e chegou a respirar por um curto período.
O caso aconteceu na madrugada de 23 de julho. Nas imagens, Thauany Gabriele de Oliveira Teixeira aparece caminhando pelo condomínio por volta de 1h03, carregando sacos de lixo pretos. Ela se aproxima do contêiner destinado aos resíduos, faz o descarte e retorna para o imóvel.
O corpo da recém-nascida foi localizado posteriormente por um funcionário do condomínio. A bebê estava dentro de uma caixa de papelão, em meio ao lixo, envolvida em uma sacola plástica. Ela ainda estava com o cordão umbilical e não apresentava sinais vitais.
Mulher mudou versão após ser confrontada com imagens
Thauany foi ouvida nesta quinta-feira (27) pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). De acordo com a Polícia Civil, inicialmente ela negou ter relação com o caso, mas admitiu ser a mãe da criança após ser confrontada com as imagens do sistema de videomonitoramento.
Em depoimento, a mulher afirmou que não tinha certeza de que estava grávida. Segundo ela, os sangramentos continuaram durante o período e, por isso, não realizou acompanhamento pré-natal nem contou sobre a possível gestação ao marido ou aos familiares.
A mulher disse ainda que entrou em trabalho de parto inesperadamente na noite de 22 de julho, enquanto o marido dormia. Ela relatou ter dado à luz sozinha no banheiro da residência.
Mãe afirmou que acreditava que bebê estivesse morta
Segundo o depoimento, Thauany acreditou que a filha tivesse nascido sem vida. Ela afirmou que cortou o cordão umbilical e colocou a bebê em uma caixa, junto com a placenta e outros materiais resultantes do parto.
Depois, teria colocado a caixa em sacos plásticos e levado o material até a lixeira do condomínio.
A investigada alegou ter agido em meio a um estado de “desespero e confusão emocional”. Ela também negou ter utilizado medicamentos ou substâncias para provocar o parto e afirmou que não contou com a participação de outras pessoas.
Thauany relatou ainda que já tem outro filho e que, durante o parto, a criança teria chamado por ela. Segundo sua versão, teria tentado agir rapidamente para evitar que o filho presenciasse a situação.
O marido também prestou depoimento. Conforme a Polícia Civil, ele afirmou que não sabia da gravidez e só tomou conhecimento do ocorrido após a repercussão do caso.
Perícia aponta que bebê nasceu com vida
A versão apresentada pela mãe de que a criança teria nascido morta não foi confirmada pelos exames periciais.
O laudo de necropsia apontou que a recém-nascida tinha aproximadamente 26 semanas de gestação, o equivalente a cerca de seis meses, e pesava aproximadamente 750 gramas.
Não foram encontrados sinais de agressão ou ferimentos no corpo. A perícia, porém, identificou evidências de respiração após o nascimento, indicando que a bebê nasceu com vida e sobreviveu por algum período.
A causa da morte ainda não foi determinada. Uma das hipóteses investigadas é de que a extrema prematuridade tenha contribuído para o óbito.
Polícia investiga se parto foi provocado
A Polícia Civil ainda apura se o parto ocorreu de forma espontânea ou se foi provocado por medicamentos ou algum outro tipo de intervenção.
Thauany negou ter utilizado substâncias para induzir o parto. Exames complementares ainda são aguardados pela investigação.
O delegado Rogério Gomes, responsável pelo caso na DHPP, informou que o inquérito deverá avançar após a conclusão dos laudos pendentes.
A investigação trabalha inicialmente com a possibilidade de indiciamento por homicídio, considerando o fato de a criança ter nascido com vida e o dever de cuidado atribuído à mãe. A classificação jurídica, no entanto, poderá mudar conforme os resultados das perícias.
Thauany é estudante de enfermagem, informação que também está sendo considerada pelos investigadores na análise da conduta adotada após o nascimento.
O principal objetivo do inquérito agora é esclarecer o que aconteceu entre o parto e a morte da recém-nascida, verificar se houve possibilidade de socorro e determinar se o nascimento ocorreu espontaneamente ou foi provocado.
Com informações de Diario de Cuiabá


