Imagens mostram como a seca histórica no rio Tapajós alterou a paisagem em Alter do Chão
Imagens mostram como a seca histórica no rio Tapajós alterou a paisagem em Alter do Chão
A seca histórica que vem atingindo Alter do Chão, em Santarém, oeste paraense, alterou a paisagem local, isolou comunidades e afetou o trabalho dos catraieiros.
20/11/2023

A seca histórica que vem atingindo Alter do Chão, em Santarém, oeste paraense, alterou a paisagem local, isolou comunidades e afetou o trabalho dos catraieiros. Imagens recentes mostram como está o local que é conhecido como “caribe amazônico”.
Nas imagens, compartilhadas pelo perfil Santrém vista de cima (@santarem.vistadecima), é possível ver a situação dramática que o local enfrente com a seca do rio Tapajós. O Porto da Companhia Docas do Pará, onde funciona o terminal graneleiro da Cargill, está em terra. Também é possível observar barcos e canoas encalhadas ao lado do píer onde atracavam navios.
A enorme diferença também pode ser notada quando se compara a paisagem em Alter do Chão em abril e em outrubro deste ano, quando foi registrado o maior pico de estiagem do rio Tapajós.
Nordeste terá seca muito forte em 2024
Uma seca forte no semi-árido do Nordeste deve ser o próximo evento decorrente do aquecimento global do planeta conjugado com o fenômeno El Niño. O climatologista Carlos Nobre, do Instituto de Estudos Avançados da USP e copresidente do Painel Científico da Amazônia, alerta que estas circunstâncias irão afetar a região entre fevereiro e maio, que coincide com o período de chuvas.
“Como vamos ter El Niño muito forte no começo de 2024 nós já podemos prever uma seca muito forte no Nordeste, também porque o Atlântico está muito quente. Ele induz seca no Nordeste mesmo quando não tem El Niño. E a temperatura do oceano está batendo recorde ao norte da linha do Equador”, afirmou.
De acordo com Nobre, o aquecimento global, que deve fazer de 2023 o mais quente dos últimos 125 mil anos, potencializa fenômenos climáticos extremos. Secas nas regiões da Amazônia e do semi-árido, aumento de precipitação na região Sul e clima mais quente no Sudeste e no Centro-Oeste são decorrências normais do “El Niño”, mas não na dimensão e na frequência atual. “Teoricamente você tinha uma seca na Amazônia a cada duas décadas. Agora estamos tendo duas secas fortes por década. Isso é impacto do aquecimento global”, afirma Nobre.
A datação de 125 mil anos corresponde ao último período interglacial da Terra. “No último período interglacial a temperatura estava mais ou menos no nível que ela está hoje e em menos de dez anos nós vamos passar a ser mais quente do que o período interglacial.”
AliançA FM