Ameaça de greve na construção civil prejudica o cronograma das obras da COP 30
Menos de dois meses antes do início da COP 30, a capital paraense enfrenta um impasse que pode comprometer diretamente a preparação da cidade para o evento. Nesta segunda-feira (15), cerca de 600 trabalhadores e trabalhadoras da construção civil paralisaram suas atividades e tomaram as ruas de Belém, em protesto contra a proposta considerada insuficiente apresentada pelo sindicato patronal.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil e do Mobiliário de Belém (STICMB), aproximadamente 70% das obras em andamento na capital foram impactadas, incluindo projetos estratégicos da COP 30, como o Porto Futuro II e a Vila COP 30, ambos fundamentais para receber delegações e atividades oficiais do encontro internacional.
A passeata seguiu até a sede do sindicato patronal e provocou forte congestionamento na avenida Magalhães Barata, um dos principais corredores viários da cidade. A Polícia Militar acompanhou o ato, que também registrou a ocupação de um canteiro de obras.
Reivindicações e impasse nas negociações
A proposta apresentada pelas empresas prevê um reajuste de 5,5% no piso salarial e um aumento de apenas R$ 10 no valor da cesta básica. A categoria rejeitou de forma unânime a oferta, classificando-a como “vergonhosa”.
Em assembleia, os trabalhadores aprovaram uma contraproposta que inclui:
- 9,5% de reajuste no piso salarial;
- cesta básica de R$ 270;
- participação nos lucros e resultados (PLR) de R$ 378;
- além de garantias como classificação para operárias, extinção do cargo de meio oficial, aviso prévio indenizado e manutenção das cláusulas sociais da convenção coletiva anterior.
A mobilização ganhou repercussão nas redes sociais, onde operários e apoiadores criticaram duramente o setor patronal e responsabilizaram também governos que, segundo eles, destinam bilhões a grandes obras sem garantir melhores condições para a mão de obra.
Fonte: Ver-o-Fato


