Entre janeiro e julho de 2025, o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu aproximadamente 10 mil denúncias sobre assédio moral. O número foi divulgado durante audiência pública realizada na última terça-feira (26), na Câmara dos Deputados. O debate aconteceu na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e foi presidido pela deputada federal Silvye Alves (União-GO).
A vice-coordenadora nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade) do MPT, Fernanda Barreto Naves, apresentou diversos dados que mostram a gravidade do cenário no Brasil. Apenas em 2024, o MPT recebeu quase 17 mil denúncias de assédio moral e 1.740 de assédio sexual. Neste ano, foram registrados na instituição cerca de 800 denúncias de assédio sexual até julho. “Esses números são estarrecedores e revelam a persistência de uma sociedade machista e patriarcal que ainda naturaliza a violência contra as mulheres”, afirmou.
De acordo com Fernanda Naves, no ambiente de trabalho, esse cenário se expressa na divisão sexual do trabalho, que sobrecarrega as mulheres com jornadas duplas e até triplas, além de se refletir na desigualdade salarial. O Relatório de Transparência Salarial do Ministério do Trabalho e Emprego (2025) mostra que mulheres recebem, em média, 20,9% a menos que homens na mesma função.
A vice-coordenadora nacional da Coordigualdade também chamou atenção para a misoginia no espaço digital, citando pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que identificou 137 canais ativos no YouTube com conteúdos de ódio contra mulheres, somando 3,9 bilhões de visualizações. “Toda essa cultura de violência contra a mulher contribui para a manutenção da desigualdade de gênero, reforça preconceitos que colocam as mulheres em papéis submissos e os homens como superiores, limita as oportunidades dadas às mulheres e cria uma atmosfera de insegurança. Isso afeta diretamente a nossa participação em espaços de poder, que são tão nossos quanto deles”.
Fernanda Naves enfatizou, ainda, a importância da Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho, que reconhece o assédio como forma de violência de gênero e amplia a compreensão do mundo do trabalho, abrangendo também ambientes virtuais, festas corporativas e situações relacionadas às relações de trabalho, inclusive na administração pública.
Além disso, a representante destacou que o assédio sexual não se limita ao contato físico. Comentários sobre aparência, piadas, mensagens virtuais, provocações ou condutas invasivas também configuram violência.
Para combater o assédio, a representante orientou mulheres a registrar casos em um diário, fazer gravações, buscar apoio de colegas e denunciar ao MPT, lembrando que as denúncias podem ser feitas de forma sigilosa pelo site da instituição. “A melhor forma de evitarmos o assédio é romper com esses estigmas, preconceitos e padrões históricos culturais frutos da nossa sociedade machista e patriarcal que nos coloca como objetos, nos relega a papéis secundários e tira o nosso protagonismo e capacidade de desenvolver nossas plenas potencialidades”.
Fonte: Proteção.com
Veja também: YouTuber de 22 anos morre arrastado por cachoeira enquanto gravava vídeo
Um trágico acidente marcou o último sábado (23), no estado de Odisha, leste da Índia. O jovem YouTuber Sagar Tudu, de 22 anos, natural de Berhampur, morreu após ser arrastado pela Cachoeira Duduma, localizada no distrito de Koraput, enquanto gravava um vídeo com drone para seu canal.
Matéria completa: YouTuber de 22 anos morre arrastado por cachoeira enquanto gravava vídeo


