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Theatro da Paz completa 138 anos de história

Um imponente prédio datado do século 19 com uma arquitetura neoclássica detalhada em bronze, estátuas, madeira de lei e muito luxo no seu design não costuma passar despercebido pelo centro de uma cidade. Fundado em 15 de fevereiro de 1878, durante o período áureo do Ciclo da Borracha, quando ocorreu um grande crescimento econômico na região amazônica, o Theatro da Paz está em festa pelos seus 138 anos.

Conta a história que Belém foi considerada “A Capital da Borracha”, mas, apesar desse progresso a cidade ainda não possuía um teatro de grande porte, capaz de receber espetáculos do gênero lírico. Buscando satisfazer o anseio da sociedade da época, inspirada na elegante sociedade francesa, o governo da província contrata o engenheiro militar José Tibúrcio de Magalhães que dá início ao projeto arquitetônico inspirado no Teatro Scalla de Milão, na Itália.

Com capacidade para 850 pessoas, o teatro conta com uma das melhores acústicas do país e as pessoas nem imaginam o porquê. Embaixo de um palco, com um pouco mais de 172 metros, existe uma piscina com 37 mil litros de água. Inicialmente, a ideia de colocar a água armazenada no porão era apenas para ser usada em caso de necessidade, porém acabaram percebendo que o feito havia trazido outras consequências ao teatro, como a qualidade do áudio. “Outros fatores também justificam esta acústica como: não ter galerias, as cadeiras serem feitas de madeira, tem o fato do teatro ser feito 80% de madeira e, claro, tem também os mistérios que cercam os grandes teatros”, explica Gilberto Chaves, diretor artístico do teatro.

Mistério. Está aí uma palavra que resume bastante o Da Paz. Quem nunca se deparou com as lendas que envolvem o prédio como a da bailarina que assombra as redondezas? Maria das Neves Dias trabalha lá há 38 anos e garante: nunca cruzou com nenhum fantasma. “Engraçado que muitas pessoas chegam perguntando sobre essas histórias”, diz. Atualmente, Das Neves, como é chamada pela equipe, trabalha, entre outras coisas, como guia durante as visitações pelas dependências do prédio. Ela admite que se enche de orgulho ao ver a reação das pessoas lá dentro. “É de chorar de emoção ao ver a expressão de quem entra aqui”, diz.

Realmente, a sensação de pisar em uma obra como esta é única. Em tempo de tecnologia, de construções aceleradas e desvalorização do antigo, ver um prédio deste tamanho conservado e tão cheio de histórias é de causar comoção. “Lembro que adorava abrir essa janela aqui no corredor e ficar admirando a Baía do Guajará, as ilhas. Agora só vejo prédios”, relembra Maria.

Se para quem o visita uma vez a impressão que fica é a melhor possível, imagina para quem tem a chance de pisar no palco por várias vezes. A soprano Kézia Andrade já perdeu as contas de quantas oportunidades já teve, mas se tem uma coisa que ela não esquece de jeito nenhum, é o dia que pisou no palco pela primeira vez. “Fui participar de um teste. Foi uma emoção tão grande que até disse aos meus familiares que eu podia não passar, mas já estava recompensada só de estar lá. Fiquei tão hipnotizada que até esqueci de ficar nervosa”, recorda. Difícil mesmo não ficar hipnotizado. Estar ao lado deste símbolo faz qualquer pessoa se sentir pequenina tamanha a grandeza da arte.

O Teatro da Paz é o primeiro e único emprego na vida de Ribamar Monteiro. De lá, ele só quer sair aposentado, e se tiver que sair mesmo. Apaixonado pelo que faz, ele garante que não tem o mínimo problema em trabalhar aos sábados, domingos e feriados, muito menos à noite. Há 38 anos cuidando deste patrimônio, Ribamar é o responsável em manter a organização dos bastidores. Ele é o cara que comanda por trás das coxias. “Eu assisto a tudo com a diferença de ver de lado. Mas compensa o fato de eu saber tudo o que está acontecendo sem que o público veja”, revela. Ribamar também é o responsável pela cenografia dos festivais de ópera que acontecem no teatro.

Agência Pará

Theatro já foi palco de inúmeros espetáculos na capital paraense. (Foto: Agência Pará)

Festa 

Templo sagrado de inúmeros espetáculos inesquecíveis, dentre eles consagradas óperas, e casa de consagrados artistas, o Theatro da Paz entra em comemoração juntamente com duas pessoas que em muito contribuíram para a sua história: Carlos Gomes e Waldemar Henrique.

Carlos Gomes foi um músico e maestro nascido em São Paulo. Ganhou reconhecimento com o seu talento sendo considerado um dos brasileiros mais famosos na época em que o país vivia uma transição entre império e república. Por vezes, apresentou-se ao público paraense neste teatro. O que pouca gente sabe é que o maestro morreu em Belém no dia 16 de setembro de 1896 e que este ano se comemora os 120 anos de sua morte.

Já Waldemar Henrique foi o mais importante maestro do estado do Pará. Se vivo, completaria no dia 15 de fevereiro, mesma data do aniversário do teatro, 111 anos. Falecido em 1995, Waldemar deixou um legado de cultura para o estado. No período de 1964 a 1979, foi o diretor do Theatro da Paz e fez dos camarins a sua casa por alguns anos. Suas obras têm principalmente temas como o folclore amazônico, o indígena, o nordestino e o afro-brasileiro.

(Agência Pará)

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