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Rejeitos vazados em Barcarena contêm metais tóxicos

Foto: Igor Mota (O Liberal)

Depois de mais um vazamento de caulim em Barcarena, no sábado (29), a Imerys informou que se trata de um mineral argiloso não tóxico e inerte. E anunciou as providências adotadas pela empresa no local onde houve vazamento.

A pedido deste jornal, a professora Simone Pereira, coordenadora do Laboratório de Química Analítica e Ambiental (Laquanam), da Universidade Federal do Pará (UFPA), contesta a Imerys: “A empresa sempre vai dizer que esse material não é tóxico. O caulim, o minério, de fato, não é considerado um produto tóxico, tampouco o pigmento que é produzido pela Imerys, que também não é considerado um produto tóxico”, disse.

Mas, segundo a professora, “o problema não é o minério e muito menos o pigmento, mas sim o rejeito deste processamento. Esse rejeito contém ácido sulfúrico e metais tóxicos como o bário, principalmente, além de outros metais considerados perigosos à saúde humana e ao meio ambiente. Então, na verdade, o rejeito que vaza sempre, pelo duto da empresa, que joga 24 horas esses efluentes sem tratamento no rio Pará, é que ocasiona os danos ambientais relatados pela população, lá do entorno da fábrica e também pelos pescadores que se sentem prejudicados, nem tanto pelo metal tóxico, mas pelo fato de que os peixes não podem mais retirar do fundo do rio o alimento de que precisam para sobrevivênvia. Esse material branco, que é o rejeito de caulim, se deposita no fundo do rio”, explicou.

Ela acrescentou: “Nos igarapés, é possível fazer isso com a própria mão, e é possível ver uma camada bem espessa de rejeito de caulim depositado no fundo dos igarapés, o mesmo que é depositado no fundo do rio Pará. O peixe, sem alimento, acaba se afugentando lá da área. Em nenhum momento, a empresa foi acionada para fazer a recuperação do rio. Nem dos igarapés próximos, como o Curuperé e Dendê, e tampouco do rio Pará”.

Simone Pereira disse que a empresa não joga mais efluentes no rio Curuperé. “Em 2007, e por ocasião do rompimento da barragem 3, onde tivemos um grande vazamento de ácido sulfúrico misturado com rejeito de caulim, foi assinado um TAC (Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta), feito pelo Ministério Público do Estado, que obrigou a empresa a impermeabilizar as bacias, que na época não eram impermeabilizadas, e também solicitou a empresa que deixasse de jogar efluente nos rios Curuperé e Dendê.

A partir desse TAC, a empresa foi obrigada também a corrigir o pH e a turbidez desse efluente antes de jogá-lo no rio Pará”, explicou. O pH é uma medida que determina se a água é ácida ou alcalina. Turbidez é a medição da resistência da água à passagem de luz.

EFEITOS

No entanto, afirmou a professora da UFPA, a empresa continua não tratando os metais. “O bário, que é um elemento químico, continua sendo jogado lá no rio Pará. A exposição crônica ao bário causa danos no sistema nervoso central. Pode causar tremores musculares, confusão mental, perda de memória, aparece gosto metálico na boca, os dentes se despreendem, causa desordem gastrointestinal, causa erupção cutânea, causa dano cerebral, dano no rim, alergia de pele. O contato repetido com a água contendo esse elemento químico pode deixar a pele azul. Também ultrapassa a barreira placentária e afeta o bebê em formação. Afeta o desenvolvimento do feto e pode diminuir a fertilidade em homens e mulheres”, enumera.

Ainda conforme Simone Pereira, o bário não é considerado, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), um cancerígeno, “mas, sim, um elemento tóxico. Dessa forma, você tem um elemento que, em alguns pontos do rio Pará, e na época do vazamento (em 2007), foi detectado em níveis acima de 125 vezes o limite máximo permitido pela resolução 357/05 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

O bário é um elemento presente nas águas do rio Pará e outros rios da região e tem causado muita preocupação da Universidade Federal do Pará”, afirmou. A resolução do Conama dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências.

Fonte: ORM/News

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