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Os desafios de Trump para cumprir promessa de expulsar imigrantes sem documentos

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo seus planos para prender ou deportar “milhões” de imigrantes sem documentos por ano.

Em uma entrevista para a rede de TV CBS, Trump disse que os esforços se concentrarão em imigrantes com antecedentes criminais, como membros de gangues e pessoas envolvidas com o tráfico.

De acordo seus próprios cálculos, isso corresponderia a dois ou três milhões de pessoas.

O republicano afirmou ainda que decidirá o que fazer com o restante dos milhões de imigrantes sem documentos após construir o famoso muro na fronteira com o México.

Mas será que o plano, uma de suas principais promessas de campanha, é viável?

Tarefa gigantesca (e cara)

Nos EUA, há cerca de 11,3 milhões de imigrantes sem documentos. Logo, detê-los e deportá-los seria um processo financeira e logisticamente desafiador para o Judiciário do país.

Um estudo de 2015 do American Action Forum (AAF), um centro de estudos e consultoria de tendência conservadora, estima que um programa de deportação em massa demoraria 20 anos para detectar e repatriar esses imigrantes ilegais.

Com base nesses números, calcula-se que essas pessoas encheriam mensalmente 650 ônibus escolares.

Polícia de fronteira detém imigrantes na fronteira com o México

A conta seria de pelo menos US$ 114 bilhões (ou mais de US$ 10 mil por deportado). E isso cobriria apenas os custos básicos da operação – o AAF estima que o valor final oscilaria entre US$ 420 bilhões e US$ 620 bilhões.

E há um sério custo indireto: esses imigrantes sem documentos representam cerca de 6,4% da força de trabalho dos EUA.

Por isso, o AAF estima que a deportação em massa poderia resultar em uma contração de quase 6% da economia americana – o equivalente a US$ 1,6 trilhão.

Isso sem falar no enorme potencial de ações judiciais e pedidos de indenizações a serem apresentados contra o governo.

O programa de deportações teria ainda que contar com o consentimento, ao menos tácito, dos americanos – e muitos deles convivem há anos com pessoas nessa situação.

Uma pesquisa do Pew Institute de 2013 mostrou que imigrantes sem documentos estavam nos EUA, em média, há pelo menos 13 anos.

Ou seja: será que seus vizinhos, colegas e amigos americanos fariam vista grossa para as detenções?

‘Criminosos’

Durante a campanha para a eleição presidencial da semana passada, Trump prometeu reverter as anistias para imigrantes sem documentos introduzidas pelo presidente Barack Obama e aplicar rigorosamente as leis imigratórias.

O cálculo de Trump se baseia em um relatório do Ministério do Interior de 2013, que estima em 1,9 milhão o número de “criminosos estrangeiros passíveis de deportação”.

Mas este número também incluiu imigrantes legalizados ou mesmo os que vivem com vistos temporários.

Para o Migration Policy Institute, um centro de estudos americano, o número atual é 820 mil, mas a entidade alerta que isso inclui muitas pessoas que foram apenas processadas por cruzar a fronteira ilegalmente.

Embora tenha atraído eleitores, os planos de Trump podem encontrar oposição dentro do próprio partido.

No domingo, o presidente da Câmara dos Representantes (o equivalente à brasileira Câmara dos Deputados), Paul Ryan, disse à rede CNN que o patrulhamento da fronteira é mais prioritário que deportações em massa.

“Não estamos planejando uma força de deportação e acho que devemos tranquilizar as pessoas”, disse o republicano.

Fonte: BBC/Brasil

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