A huge collection of 3400+ free website templates JAR theme com WP themes and more at the biggest community-driven free web design site
Home / Notícias Aliança / Barcarena rejeita proposta de empresas

Barcarena rejeita proposta de empresas

Comunidades não aceitam R$ 7,5 mi e propõem 2 salários mínimos por 2 anos

Barcarena rejeita proposta de empresasMoradores que sofreram o prejuízo do naufrágio do navio Haidar, no porto de Vila do Conde, em Barcarena, há quase dez meses, concordam que se prossiga a negociação com as empresas responsáveis pelo desastre, entre as quais a Companhia Docas do Pará (CDP), que administra o porto, mas rejeitaram os R$ 7,5 milhões oferecidos para tentar fechar um acordo.

As comunidades argumentam que o valor é insuficiente para indenizar os prejuízos financeiros de pescadores e comerciantes, por causa dos danos ambientais causados pelo incidente. Elas exigem o pagamento mensal de dois salários mínimos, durante dois anos, para cada uma das famílias.

Essa foi a principal decisão tomada, ontem, na audiência pública com os afetados pelo naufrágio naquele município. A convocação foi feita pelo Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Pará (MPPA), Defensoria Pública da União (DPU) e Defensoria Pública do Pará (DPE). Em outubro de 2015, o navio de bandeira libanesa afundou com uma carga de cinco mil bois vivos no porto de Vila do Conde. A audiência pública começou depois das 9 horas e terminou após o meio-dia. Na pauta, a proposta de acordo entre os atingidos e algumas das empresas envolvidas. Estão sendo feitas negociações com a CDP, Global Norte Trade e Minerva, responsáveis pela operação portuária e pelos bois, para que sejam pagos os danos sociais de caráter coletivo.

Procuradores e defensores informaram que um eventual acordo coletivo não impede que moradores ingressem com ações de indenizações individuais. Os moradores criticaram Helder Barbalho, que garantiu o repasse de R$ 5,4 milhões da Secretaria dos Portos para pagar um salário mínimo às pessoas prejudicadas, o que até hoje não foi feito. Os relatos dão conta de que os pescadores enfrentam necessidades, porque, após o naufrágio, sumiram os peixes e o camarão, base da subsistência dos ribeirinhos. Eles informam que o naufrágio foi 18º acidente ambiental de grandes proporções no Porto de Vila do Conde.

A audiência foi feita na Assembleia de Deus, em Vila dos Cabanos, que tem capacidade para 1,5 mil pessoas, mas muita gente ficou do lado de fora e protestou por não poder participar da reunião. Uma outra audiência será agendada com essas pessoas, para que também relatem seus problemas e opinem sobre o acordo proposto pelas empresas. A defensora pública Aline Rodrigues, de Barcarena, explicitou os pontos de pauta debatidos ontem na audiência: se as comunidades aceitariam os R$ 7,5 milhões propostos pelas empresas; caso aceitassem, se o dinheiro seria aplicado em melhorias coletivas (hospitais, praças e obras de saneamento) ou repartido entre a população afetada; caso a definição seja pelo pagamento individual, qual critério será usado para identificar os afetados pelo acidente ambiental.

COMUNIDADE

“Há quase dez meses estamos nessa luta e não tivemos nada concreto sobre esse crime. Estamos sofrendo. Não tem comida na mesa do pescador. Acabou o peixe na Vila do Conde”, desabafou o pescador José Maria Pacheco, que defende o pagamento de um salário mínimo durante dois anos. “Dizem que esse navio vai continuar no fundo do rio por mais um ano”, ponderou. O também pescador Domingos Teles Assunção afirmou que a água “está imprópria para consumo humano. Sumiu nosso peixe. Dez meses não são dois dias. É muito sofrimento. Tem gente que não pode comprar água mineral. As frutas e plantas estão se acabando desde que as empresas se instalaram aqui (no polo industrial de Barcarena). Dividir esses R$ 7, 5 milhões para as famílias não vai resolver o problema de ninguém”, afirmou.

Presidente da Associação de Pescadores de Vila do Conde, Domingos Cardoso defendeu o ressarcimento individual pelos prejuízos acumulados. “Fazer praças e hospitais não vai pagar nossa dívida, pois muita gente ficou devendo, já que não tinha dinheiro para pagar suas contas”, afirmou. A também pescadora Raimunda Souza de Souza defende exames nas famílias prejudicadas. “Pode ser que elas estejam contaminadas”, disse ela, ao defender o pagamento de um salário mínimo para cada família. “O Estado e a prefeitura é que têm que fazer hospitais, praças e creches”, disse. Petronilo Progênio, que falou em nome do grupo de trabalho que representa as comunidades impactadas pelos grandes empreendimentos industriais e portuários de Barcarena, também defende exames médicos e o pagamento de um salário mínimo durante dois anos.

Lúcio Marinho Neves, que representa pescadores da Vila de Beja, em Abaetetuba, rejeitou a proposta financeira das empresas. Ângela Maria Vieira representava as comunidades de Itupanema e Vila Nova, em Barcarena, e discordou. “Antes os R$ 7,5 milhões do que nada. Os pescadores não têm mais peixe, nem nada”, afirmou. Rony Santos, do Movimento Barcarena Livre, disse que o naufrágio do navio Haidar é maior acidente ambiental já registrado em Barcarena.

Paulo Feitosa, do Instituto Barcarena Socioambiental, disse que a maioria das famílias quer o dinheiro das empresas porque estão em dificuldades financeiras e, até hoje, “nunca receberam um centavo”. Ele defende que os recursos sejam divididos entre os moradores e que sejam feitas obras públicas em Barcarena e nas demais comunidades impactadas.

Pedro Valderez mora em Vila do Conde e diz que a oferta das empresas é insuficiente. “Ainda estamos no meio do óleo. Esse dinheiro é pouco para todas as comunidades”, disse. Presidente do Centro Comunitário de Vila do Conde, Quesia Caetano lembrou a promessa vazia de Helder Barbalho. “Até hoje, nada”, garantiu. Ela calculou que R$ 7,5 milhões para um mínimo de seis mil habitantes dá R$ 1.250 para cada. “Não paga nem a conta da dívida feita na loja desde outubro”, afirmou Quesia, ao defender investimentos na praia do Conde e condições de trabalho para os barraqueiros e para os pescadores.

Renata Ribeiro Ferreira representa os moradores do rio Guajará, na Vila de Beja. “Falam em construir praça. Como é que esse povo vai ter praça na beira do rio?”, perguntou. “Queremos esse dinheiro para ser repartido. Há famílias sofrendo. Como não têm água para beber, tomam do rio. O pescador vive do seu matapi e de sua rede (de pesca)”, afirmou. Rosemiro Santos, da Vila do Conde, criticou o valor ofertado pelas empresas. “Querem dar um ‘cala a boca’ nas comunidades com essa mixaria, que não resolve o problema da sociedade”.

Fonte: ORM/News

255 Total Views 1 Views Today
Compartilhe com seus amigos!
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Verifique

Exclusivo: Acaba assalto com refém em loja em Belém

Quatro assaltantes fizeram clientes reféns dentro de uma unidade das Lojas Americanas localizada entre a …

Comentários no Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *